Quando eu era criança adorava ficar imaginando como eu seria quando fosse mais velha. Na minha mente aparecia uma mulher loira, com um corpão (não sei porque isso, já que sempre fui do tipo baixinha e cheinha), usando tailleur e óculos de leitura. Era uma mulher forte, decidida e determinada. Nunca tinha dúvidas, nunca se descontrolava, seu tom de voz era constante, mesmo nas brigas. Sempre sabia o que fazer e como agir. Nunca chorava. Tinha um namorado incrível, um emprego incrível e se preparava para se casar e se mudar para uma casa igualmente incrível.
Hoje aos 24, fico pensando nos sonhos e planos infantis que ficaram para trás. Acho normal que isso aconteça e, pensando por este lado, talvez seja até bom, senão teríamos muito mais astronautas do que a NASA pode comportar. Mas... Eu nunca quis ser astronauta, nem jogadora de futebol, nem dançarina de balé e nem atriz. Sempre quis ser jornalista e em dezembro de 2007 me formei em uma Universidade Federal. Já fazem dois anos e tanto e nunca vesti tailleur, o namorado incrível se foi e não penso tão cedo em casamento.
Pois é... Eles me enganaram... Estudei em um colégio cujo slogan era "Forjando os líderes do século XXI", um dos melhores da cidade. Eles não se cansavam de dizer que fazíamos parte de um seleto grupo predestinado ao sucesso. Cresci acreditando que eu e meus amigos éramos os mais sensacionais e que nada poderia nos impedir de conquistar o mundo.
A verdade é que não me sinto menos infantil que antes. Ainda tenho dúvidas (só que mais sérias), meto os pés pelas mãos e, na maioria das vezes, não sei o que fazer.
Veja bem, nunca duvidei das minhas capacidades ou da minha inteligência, acho que sou bem safa e agradeço a formação que meus pais puderam me dar. Mas o fato é que, aos 24 anos, Che Guevara já tinha ingressado nas lutas para eliminar o latifúndio, diminuir as desigualdades sociais e garantir a mulher no mercado de trabalho. Aos 24, Madre Tereza de Calcutá já tinha feito 1 milhão de caridades e garantido seu lugarzinho ao lado do Senhor. Aos 24, Olga Benário co-liderava, com seu companheiro Luís Carlos Prestes, a Intentona Comunista pela democratização da política interna e pela defesa da independência nacional contra o imperialismo. Pense! Isso dá um desespero danado! 1/3 da minha vida já se passou e não dei um rumo para ela.
Bem vindo à vida real! O pior de tudo é finalmente se tocar que existem um milhão de pessoas como você, que são tão ou mais inteligentes que você, que estão na mesma situação que você, que sonharam como você e caíram lá do alto, como você. A vida aqui fora é muito mais difícil do que qualquer estudante é capaz de imaginar. Embora existam centenas de bons jornalistas, muito poucos podem ser Willian Bonner ou Fátima Bernardes. E ninguém fala isso pra gente! Faltam oportunidades. Quero dizer, booooas oportunidades, principalmente para quem não tem QI.
Deus me livre fazer apologia ao fim dos sonhos, mas sonhar ficou osso. Perguntei para uma amiga, que se formou comigo, qual era o sonho dela. Ela respondeu: "Pagar minhas contas"... o.O
Quer saber o meu? Voltar a sonhar, não sentir que todos os anos de estudo foram em vão, não me parecer com a jornalista que conheci que disse que se eu quisesse casar, ter filhos, um carro e um bom apartamento, eu estava na profissão errada.
Pode parecer que estou falando só de grana, mas não é. A verdade é que a gente acaba desistindo da profissão que queremos seguir por existirem outras capazes de nos garantir um futuro bem melhor. E isso é muito triste!
Estou aqui me lembrando de um professor que dizia num tom de ameaça: "Não quer estudar, vá ser taxista!". Professor, não sei como era na sua época e nem se taxista ganha bem, mas meu amigo é garçom e, entre salário, gorjetas e comissões, ganha mais de 2 mil por mês. Posso te garantir que é mais do que um jovem jornalista pode ganhar... Fazer o quê né?...
Obs 1: Eu falei do jornalismo mas o problema é comum em muitas profissões. Experimente trocar a palavra jornalismo por pedagogia, psicologia, advocacia...
Obs 2: Dizem que as profissões do momento são as que terminam em "-eiro": pedreiro, padeiro, cozinheiro, engenheiro, marceneiro, lanterneiro...
Obs última: Acho que não devia ter começado este blog hoje, ando estressada. Não sou sempre assim. No próximo post virei com mais positividade... Espero...
Obaaa! Gostei desse "Papos de mulherzinha!" ^^
ResponderExcluirSigo vc, Marcinha queridaa!
;*
Quero saber o que anda papeando entre essas mulherzinhas! Linda muito boas as palavras e eu vejo e escuto você dizer tudo isso. São por essas e outras que eu gosto de você e bem vinda a blogesfera!
ResponderExcluirHummm
ResponderExcluirGostei
um desabafo e tanto...
mas sim, concordo e espero que sejas mais POSITIVA!
lembra das nossa conversas! hehehe
adoro vc! "para o ALTO e AVANTE!!!"
bjos
Oi, chuchuuu. Bem, adorei você começar um blog.
ResponderExcluirEu sempre te falei que admiro pra caramba o seu talento. Como jornalista, como artista e como amiga. Você sempre teve o dom pra se comunicar.
Um post sincero e com muita identidade. Acho que todos podem se identificar um pouco. Lembre-se que o Che Guevara, a Madre Tereza e a Olga não chegaram lá sem esforço, sem persistencia, sem ralar um bocado. Vc tem força pra isso.
Bjos e espero ansiosamente o próximo post! ^^