segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Uma pequena história de amor

Tê-lo era um sonho antigo, quase um devaneio. Mas, há 1 ano, ele entrou na minha vida. A fase da conquista não foi fácil, muita gente se opunha e dificultava nosso relacionamento. Foi preciso lutar muito, querê-lo muito e passar por cima de todos os obstáculos.
Lembro-me que a paixão foi imediata, amor à primeira vista, e ele me correspondeu de uma forma que eu nem pude acreditar.

É claro que ele tinha alguns defeitos, mas uma coisa é certa: ele nunca me deixou na mão. Com ele pude crescer, ampliar meus horizontes, sonhar mais alto, alcançar o impossível. Durante a semana, ele se tornou indispensável, estava sempre pronto a me ajudar. Nos fins de semana ele me levava a conhecer os lugares mais lindos. Não havia o que não pudéssemos fazer, não havia onde não pudéssemos ir: ele realizava todos os meus desejos.

Um dia, porém, sofremos um acidente terrível e grave. Eu não sofri um arranhão. Ele me protegeu e absorveu todos os impactos, mas ficou muito doente. Daí por diante, começou minha luta para salvá-lo. Não trabalhava direito, não saía mais, passava o dia inteiro pensando em uma forma de reabilitá-lo... E chorava, chorava muito. Meus amigos sofreram comigo, também gostavam muito dele. Todos diziam: "Só o tempo poderá ajudá-los. Agradeça por não terem morrido".

Hoje fazem exatamente dois meses e três dias que tudo aconteceu e, pela primeira vez, tenho a certeza de que ele vai ficar bom. A esperança renasceu e já consigo sorrir, as lembranças boas estão ressurgindo e já não fico mais remoendo as cenas do dia em que quase o perdi. Os especialistas dizem que em 1 ou 2 meses ele já poderá voltar para casa, e eu aguardo ansiosa pelos momentos lindos que viveremos, novamente juntos.


Meu carrinho, volta logo, estou morrendo de saudades de você!!!


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Rabiscos


"João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.


João foi para os Estados Unidos,




Teresa para o convento,



Raimundo morreu de desastre,



Maria ficou para tia,




Joaquim suicidou-se



e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história".





Moral da história:
Melhor mesmo é não amar ninguém!


Obs: Brincadeira gente!!!

Obs 2: Carlos Drummond de Andrade é um gênio, né?

Obs última: Os desenhos são meus, grafite e nanquim sobre folha pautada.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Cenas

Eram sete, ela começava a se arrumar. Alguma coisa não parecia bem. Os outros encontros tinham sido adiados ou desastrosos. Acreditava que a vida era um palco, nós os atores e Deus o diretor. Bem, da última vez ele tinha exagerado. Haveria mesmo necessidade de tombar um carro?
Oito. Ela liga. Ele fica de retornar. Nove. Ela coloca um pijama, afinal. Resolve pensar na parte boa. Talvez o diretor a tenha livrado de outro desastre.
No computador agora marcam nove e meia. Ele já está on-line. Entre explicações, ele diz: "É por isso que eu te amo. Você sempre me compreende, mesmo quando quer me matar". 

Ela se permitiu 2 segundos de euforia, mas não podia enganar a sí mesma. O que ele quis dizer? "É por isso que gosto de ficar com você. Neste 1 ano já furei, já desisti, já sumi, já voltei, não liguei e omiti. Mas você finge que não se importa e sempre se comporta como uma boa menininha. Não me cobra, não me amola e não me gruda. Por que você sabe que, ou é assim, ou não é".

Ela sabia que estava condicionada, não se permitiu amar e não chorava. Construiu com ele uma relação diferente, ora amigo, ora amante, mesmo sendo difícil diferenciar. Ás vezes se sentia triste, menos por ela e mais por ele, que não sabia amar...


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Eles me enganaram...

Quando eu era criança adorava ficar imaginando como eu seria quando fosse mais velha. Na minha mente aparecia uma mulher loira, com um corpão (não sei porque isso, já que sempre fui do tipo baixinha e cheinha),  usando tailleur e óculos de leitura. Era uma mulher forte, decidida e determinada. Nunca tinha dúvidas, nunca se descontrolava, seu tom de voz era constante, mesmo nas brigas. Sempre sabia o que fazer e como agir. Nunca chorava. Tinha um namorado incrível, um emprego incrível e se preparava para se casar e se mudar para uma casa igualmente incrível.

Hoje aos 24, fico pensando nos sonhos e planos infantis que ficaram para trás. Acho normal que isso aconteça  e, pensando por este lado, talvez seja até bom, senão teríamos muito mais astronautas do que a NASA pode comportar. Mas... Eu nunca quis ser astronauta, nem jogadora de futebol, nem dançarina de balé e nem atriz. Sempre quis ser jornalista e em dezembro de 2007 me formei em uma Universidade Federal. Já fazem dois anos e tanto e nunca vesti tailleur, o namorado incrível se foi e não penso tão cedo em casamento.

Pois é... Eles me enganaram... Estudei em um colégio cujo slogan era "Forjando os líderes do século XXI", um dos melhores da cidade. Eles não se cansavam de dizer que fazíamos parte de um seleto grupo predestinado ao sucesso. Cresci acreditando que eu e meus amigos éramos os mais sensacionais e que nada poderia nos impedir de conquistar o mundo.
A verdade é que não me sinto menos infantil que antes. Ainda tenho dúvidas (só que mais sérias), meto os pés pelas mãos e, na maioria das vezes, não sei o que fazer.
Veja bem, nunca duvidei das minhas capacidades ou da minha inteligência, acho que sou bem safa e agradeço a formação que meus pais puderam me dar. Mas o fato é que, aos 24 anos, Che Guevara já tinha ingressado nas lutas para eliminar o latifúndio, diminuir as desigualdades sociais e garantir a mulher no mercado de trabalho. Aos 24, Madre Tereza de Calcutá já tinha feito 1 milhão de caridades e garantido seu lugarzinho ao lado do Senhor. Aos 24, Olga Benário co-liderava, com seu companheiro Luís Carlos Prestes, a Intentona Comunista pela democratização da política interna e pela defesa da independência nacional contra o imperialismo. Pense! Isso dá um desespero danado! 1/3 da minha vida já se passou e não dei um rumo para ela.

Bem vindo à vida real! O pior de tudo é finalmente se tocar que existem um milhão de pessoas como você, que são tão ou mais inteligentes que você, que estão na mesma situação que você, que sonharam como você e caíram lá do alto, como você. A vida aqui fora é muito mais difícil do que qualquer estudante é capaz de imaginar. Embora existam centenas de bons jornalistas, muito poucos podem ser Willian Bonner ou Fátima Bernardes. E ninguém fala isso pra gente! Faltam oportunidades. Quero dizer, booooas oportunidades, principalmente para quem não tem QI.

Deus me livre fazer apologia ao fim dos sonhos, mas sonhar ficou osso. Perguntei para uma amiga, que se formou comigo, qual era o sonho dela. Ela respondeu: "Pagar minhas contas"... o.O
Quer saber o meu? Voltar a sonhar, não sentir que todos os anos de estudo foram em vão, não me parecer com a jornalista que conheci que disse que se eu quisesse casar, ter filhos, um carro e um bom apartamento, eu estava na profissão errada.
Pode parecer que estou falando só de grana, mas não é. A verdade é que a gente acaba desistindo da profissão que queremos seguir por existirem outras capazes de nos garantir um futuro bem melhor. E isso é muito triste!

Estou aqui me lembrando de um professor que dizia num tom de ameaça: "Não quer estudar, vá ser taxista!". Professor, não sei como era na sua época e nem se taxista ganha bem, mas meu amigo é garçom e, entre salário, gorjetas e comissões, ganha mais de 2 mil por mês. Posso te garantir que é mais do que um jovem jornalista pode ganhar... Fazer o quê né?...


Obs 1: Eu falei do jornalismo mas o problema é comum em muitas profissões. Experimente trocar a palavra  jornalismo por pedagogia, psicologia, advocacia...

Obs 2: Dizem que as profissões do momento são as que terminam em "-eiro": pedreiro, padeiro, cozinheiro, engenheiro, marceneiro, lanterneiro...

Obs última: Acho que não devia ter começado este blog hoje, ando estressada. Não sou sempre assim. No próximo post virei com mais positividade... Espero...