quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Cenas

Eram sete, ela começava a se arrumar. Alguma coisa não parecia bem. Os outros encontros tinham sido adiados ou desastrosos. Acreditava que a vida era um palco, nós os atores e Deus o diretor. Bem, da última vez ele tinha exagerado. Haveria mesmo necessidade de tombar um carro?
Oito. Ela liga. Ele fica de retornar. Nove. Ela coloca um pijama, afinal. Resolve pensar na parte boa. Talvez o diretor a tenha livrado de outro desastre.
No computador agora marcam nove e meia. Ele já está on-line. Entre explicações, ele diz: "É por isso que eu te amo. Você sempre me compreende, mesmo quando quer me matar". 

Ela se permitiu 2 segundos de euforia, mas não podia enganar a sí mesma. O que ele quis dizer? "É por isso que gosto de ficar com você. Neste 1 ano já furei, já desisti, já sumi, já voltei, não liguei e omiti. Mas você finge que não se importa e sempre se comporta como uma boa menininha. Não me cobra, não me amola e não me gruda. Por que você sabe que, ou é assim, ou não é".

Ela sabia que estava condicionada, não se permitiu amar e não chorava. Construiu com ele uma relação diferente, ora amigo, ora amante, mesmo sendo difícil diferenciar. Ás vezes se sentia triste, menos por ela e mais por ele, que não sabia amar...


2 comentários:

  1. Como eu queria saber, ou até mesmo ter a oportunidade de aprender como amar você! Linda.

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  2. Sim,
    viva o momento, um dia de cada vez sem fazer planos mirabolantes, tem q ser um degrau de cada vez pra chegar no segundo nível!
    he...
    bjos

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